É impossível entender
no que o distrito se transformou hoje, com tantos problemas e potencialidades,
sem virar o retrovisor para as últimas três décadas. É um erro, por exemplo,
afirmar que a história do distrito corre paralela à história de Palmas. Elas se
encontraram e caminharam juntas até certo ponto e depois cada qual tomou seu
norte. Antes de 1988, antes de o Tocantins ser criado, tanto a margem direita
como a margem esquerda do rio Tocantins, nesta região onde estamos, não
passavam de cerrado cortado pelo arame farpado das grandes e pequenas
propriedades. O desenvolvimento seguia o eixo da BR-153, e fora dele algumas
cidades importantes do ponto de vista cultural e histórico, mas já em declínio
econômico. Porto Nacional era a que melhor representava esse grupo.
Na futura
localização de Luzimangues, no começo da década de 1980 Maria de Melo, mulher
de um fazendeiro, criou uma escola informal com objetivo de alfabetizar e
ensinar operações básicas aos filhos dos lavradores. Em 1983, para evitar
o difícil deslocamento dos alunos até a escola improvisada, os pais decidem
construir casas onde os estudantes pudessem ficar, pelo menos nos dias de
semana. Foi o primeiro núcleo populacional. O ensino formal chega em 1985, com
a prefeitura de Porto encampando a escola e dando força ao povoado.
Vem a
criação do Tocantins em 1988 e o início frenético das obras de construção de
Palmas, sua capital definitiva. Por conta do tráfego que se intensificou no rio
Tocantins, em sua margem esquerda surge um povoamento próximo de onde as balsas
encostavam para embarcar e desembarcar os veículos. Porto da Balsa foi o nome
dado ao lugar. Foi lá que uma mulher ganhou uma cadeira na câmara da Capital e
um nome que a acompanharia pelo resto da vida. Maria da Balsa guarda viva na
memória o surgimento da pequena vila.
O
território só seria transformado em distrito no ano de 1993, com área de 960
quilômetros quadrados. Inicialmente batizado de “Mangues”, o nome Luzimangues
foi sugerido pela educadora pioneira, professora Maria de Melo, explica o
primeiro vereador de Porto Nacional eleito pelo distrito, João José Justino.
Se o
impulso inicial na história de Luzimangues foi a implantação de Palmas, o
seguinte e mais impactante foi a formação do lago da usina hidrelétrica Luiz
Eduardo Magalhães. Aquele arranjo habitacional do começo da década de 1980
ficou submerso, assim como o Porto da balsa. Oitenta e nove famílias que
moravam na área impactada tiveram de ser realocadas. A Investco, empresa
administradora da usina, comprou uma fazenda e a transformou no
reassentamento Luzimangues, para onde foram levadas essas pessoas. Ali cada
família recebeu uma casa de alvenaria e um pedaço de terra para cultivo e criação
de animais. Segundo Elizângela Cunha, presidente da associação dos chacareiros
do distrito, foram tempos fartos enquanto a Investco dava assistência aos
moradores, mas que tudo mudou quando a ajuda cessou.
Segundo
informações da sub-prefeitura de Luzimangues, hoje de cada dez moradores do
distrito só dois ainda moram na zona rural, sintoma do processo de urbanização
deflagrado em meados da década passada. Mudanças que enchem de alegria quem
nasceu e ainda mora no Luzimangues, como a ex-ribeirinha Maria Balsa. (Gleydsson
Nunes)
Fonte: CBN Tocantins































